Campus de Beltrão: Projeto busca atendimento a crianças com dificuldade de aprendizagem

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Com o intuito de melhorar o aprendizado das crianças no âmbito da linguagem e cálculo, o projeto “Atendimento à criança com dificuldade de aprendizagem” da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) auxiliou 17 crianças de três escolas municipais de Francisco Beltrão no desenvolvimento da aprendizagem da leitura, escrita, oralidade e cálculo, além do avanço de autonomia e autoconfiança, durante o ano passado.

Os dados obtidos, a partir das intervenções, permitiram orientar e discutir as ações educativas e pedagógicas necessárias a esse grupo de crianças, destaca a coordenadora do projeto, Janaina Damasco Umbelino. “Principalmente, aqueles relevantes para a superação ou minimização das dificuldades de aprendizagem, que quando persistentes, comprometem a relação da criança no contexto escolar”.

O projeto, desenvolvido no campus de Francisco Beltrão, foi idealizado no ano de 2018, como uma atividade de pesquisa da professora Dra Janaina Damasco Umbelino, junto à Escola Municipal Recanto Feliz, e no ano de 2019, assumiu o caráter de projeto de extensão ampliando suas atividades para outras escolas do município e sendo realizado no Laboratório de Ensino da Pedagogia.

As ações, realizadas em contraturno ao horário escolar, incluíram as escolas municipais Recanto Feliz, Madre Boaventura, e Sagrado Coração. As crianças participantes, do 2º e 3º ano do ensino fundamental, foram indicadas pelas escolas, após consulta aos professores, em comum acordo com os pais. “As professoras indicaram as crianças que tinham níveis iniciais de leitura, escrita e cálculo, com grande possibilidade de reprovação no final do ano”, explica Janaina.

Após o contato com as escolas, ocorreu a seleção dos candidatos e entrevista com os pais, para que eles compreendessem as características da situação de desenvolvimento da qual as crianças fazem parte. Por fim, no primeiro dia de atividades, foi realizada a avaliação com as crianças para identificar o nível de aprendizagem em que se encontravam.

Assim, deu-se início a etapa de intervenção, durante todo o ano de 2019. Segundo Janaina, foram organizadas ações de planejamento para organização do ensino com as crianças. “As crianças foram atendidas em duplas ou individualmente, em sessões de 2 horas. De forma geral, foram elaboradas atividades que favoreceram, segundo a literatura da área, a superação das dificuldades de aprendizagem, por meio de atividades organizadas exclusivamente para o grupo ou para a criança, dependendo de suas necessidades”.

Ao longo do projeto, foram observados resultados efetivos. “As crianças tiveram melhoras qualitativas no âmbito da linguagem – leitura, escrita, oralidade – e cálculo. Também, em aspectos de autonomia e autoconfiança em relação à aprendizagem”. No final de 2018, foi realizada uma reavaliação das crianças, e das 26 que participaram do projeto, apenas 4 precisaram retornar as atividades no ano seguinte.

Com a pandemia e, consequentemente, a suspensão das atividades acadêmicas presenciais nas escolas municipais e na Universidade, o projeto foi interrompido. “Avaliamos que manter mais uma atividade remota paralelamente às atividades da escola provocaria prejuízos às crianças pelo tempo e quantidade de atividades remotas”, explica a coordenadora.

Pedagogia

O atendimento ocorreu semanalmente, e foi realizado pelos acadêmicos e professora do curso de Pedagogia. O projeto apresentou importância para a formação acadêmica dos estudantes de graduação, pois possibilitou que entrassem em contato com as problemáticas enfrentadas pelas escolas do município, além de refletirem sobre as condições e ações necessárias para proporcionar a aprendizagem da criança.

Fazem parte do projeto cinco estudantes de graduação, quatro do curso de Pedagogia e um do curso de Serviço Social do campus de Francisco Beltrão e a coordenadora do projeto, professora do curso de Pedagogia e do Programa de Pós-graduação em Educação, Janaina Damasco Umbelino. “Em relação à participação de estudantes do curso de Pedagogia, buscamos educar seu olhar para observar as dificuldades enfrentadas pelas crianças no processo de aprendizagem e quais elementos podem influenciar o surgimento de tais dificuldades escolares”.

A acadêmica Paola Oliveira afirma que o projeto foi muito enriquecedor tanto para a minha formação quanto para minha experiência profissional e pessoal. “Eu aprendi muito ao longo do projeto, por exemplo a como se portar em sala de aula (como professora), como ensinar fonema e grafema, como ensinar a matemática a partir do uso cotidiano e principalmente como uma criança aprende e como ajudá-la a superar suas dificuldades de aprendizagem partindo da Teoria Histórico-Cultural. O projeto influenciou tanto na minha vida que atualmente penso em fazer a pesquisa de mestrado sobre as dificuldades de aprendizagem escolares”.

Neste ano, o projeto foi selecionado para financiamento pela Universidade Sem Fronteira, programa da Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), sob o título “Atendimento à criança em alfabetização”, que dará continuidade ao projeto, e aguarda início pela instituição de fomento.

Por Ana Cauneto
Supervisão de Patricia Bosso


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