Ação extensionista: Unioeste atende doentes com Alzheimer e Parkinson

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O ambulatório do curso de Medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em funcionamento no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop), é um centro de referência para o tratamento multidisciplinar integral e gratuito a pacientes com Alzheimer e Parkinson no Oeste e Sudoeste do Paraná. Antes da pandemia pela Covid-19, a unidade realizava aproximadamente 32 atendimentos no mês, oito por semana, trabalho no momento interrompido em decorrência da pandemia.

Resultado de dois projetos de extensão da Universidade e do curso de Medicina, as atividades são coordenadas pelo médico Paulo Eduardo Carrilho, docente do curso e um dos coordenadores da residência em Neurocirurgia no Huop. Trabalham nos projetos residentes R2 de Clínica Médica, de Neurocirurgia e um interno de sexto ano e eventuais estagiários acadêmicos de Medicina e Enfermagem. A cada ano, há troca de residentes.

Trabalham, ainda, a assistente social Genilda Baroni do hospital e a enfermeira Marcia Mendes, do curso de Enfermagem da Unioeste, Campus de Cascavel, que assim como Carrilho, são entusiastas do trabalho. “O trabalho é feito por toda uma equipe, sendo essencial a atuação da assistente social”, menciona.

O projeto permite assistência desde o diagnóstico dessas doenças até a concessão de receitas, prestando o auxílio necessário para obtenção de remédios pela Regional de Saúde, entre outras ações. A medicação para Alzheimer e Parkinson tem alto custo e podem ser obtidas de graça pelos pacientes, mas para isso, eles precisam fazer todo o trajeto do atendimento público. O trabalho resultou em publicações científicas nacionais e internacionais (vide links).

Existente há 15 anos, o trabalho só foi e continua possível por estar vinculado à residência médica em Neurocirurgia no Huop. Nominados Projeto de Atendimento Ambulatorial pacientes Parkinsonianas e Projeto de Atendimento Ambulatorial com Doenças de Alzheimer, a atividade praticamente revolucionou a forma de atendimento dos diagnosticados com Alzheimer e Parkinson em toda a região.

O médico disse que, no momento, há uma grande preocupação com os pacientes, que além da idade, a maioria tem comorbidades, o que aumentam e muito o risco de letalidade em caso de infecção por Covid-19. Pensando nisto, o ambulatório ampliou o prazo das receitas para retirada de remédios, feita em sua maioria junto a 10 Regional de Saúde, de três para seis meses. “Depois que tudo isso passar teremos que mudar a forma de atendimento de modo a dar mais segurança aos pacientes. É uma grande preocupação. Os pacientes são atendidos pela nossa equipe e recebem receituário e auxílio para obterem remédios sem nenhum custo”, ressalta o médico. Ambos os males não têm cura, porém com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a qualidade de vida das vítimas melhora substancialmente, além da atenção às famílias.

Carrilho elucida que pacientes com esses diagnósticos necessitam de cuidado integral, o que torna-se ainda mais difícil quando as famílias não possuem recursos financeiros. Os cuidados envolvem alimentação, ambiente adequado e outros aspectos que podem elevar a qualidade de vida dos pacientes. “Na maioria das vezes quem cuida desses pacientes são as próprias famílias”
A ação extensionista atende os pacientes em todas as fases, desde o diagnóstico até a concessão de remédios de alto custo. Os pacientes são encaminhados via Unidade Básica de Saúde (UBS), é assim que conseguem atendimento da equipe coordenada pelo médico.

Além dos benefícios já mencionados, o projeto ainda resultou em publicações científicas, que levam o nome da Unioeste para outros centros de estudo. Artigos relevantes sobre o trabalho e pesquisas relacionadas ao assunto, na Unioeste, podem ser acessadas pelos sites de plataforma de busca científica nos seguintes endereços www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-57642018000300299;
https://doi.org/10.1590/S0365-05962012000100021
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8546

História

O projeto começou há 15 anos e nesse período atendeu vítimas de Alzheimer e Parkinson e suas famílias, que são profundamente e emocionalmente atingidas, em especial os que cuidam dos pacientes. “A doença hoje tem controle, mas exige uma série de cuidados e impactam tanto os idosos, como suas famílias”.

O diagnóstico

A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo e incurável que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado.

O primeiro sintoma, e o mais característico, do Mal de Alzheimer é a perda de memória recente. Com a progressão da doença, vão aparecendo sintomas mais graves como, a perda de memória remota (ou seja, dos fatos mais antigos), bem como irritabilidade, falhas na linguagem, prejuízo na capacidade de se orientar no espaço e no tempo.
Entre os principais sinais e sintomas do Alzheimer estão: falta de memória para acontecimentos recentes; repetição da mesma pergunta várias vezes; dificuldade para acompanhar conversações ou pensamentos complexos; incapacidade de elaborar estratégias para resolver problemas; dificuldade para dirigir automóvel e encontrar caminhos conhecidos; dificuldade para encontrar palavras que exprimam ideias ou sentimentos pessoais; irritabilidade, suspeição injustificada, agressividade, passividade, interpretações erradas de estímulos visuais ou auditivos, tendência ao isolamento.

A doença tem quatro estágios de forma lenta e inexorável, ou seja, não há o que possa ser feito para barrar o avanço da doença, mas minorar os sintomas. A partir do diagnóstico, a sobrevida média das pessoas acometidas por Alzheimer oscila entre oito e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios: inicial, alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais, moderado, dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos, agitação e insônia. Forma grave, com resistência à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora, terminal, restrição ao leito, dores, infecções, entre outros.

Já a doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. É causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina, que é um neurotransmissor (substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas).

Quem é o criador do projeto

O médico Paulo Eduardo Carrilho possui graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (1989) e Mestrado em Neurologia pela Universidade de São Paulo (1999), além de certificado de área de atuação em Neurofisiologia Clínica concedido pela SBNC (Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica). Atualmente é médico-assistente Neuroclínica, em Cascavel, e professor assistente da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná).
 
POR MARA VITORINO

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