Coronavírus: Unioeste realiza pesquisa para identificação de moléculas anti-Covid

Coronavírus: Unioeste realiza pesquisa para identificação de moléculas anti-Covid

O coordenador do Laboratório de Química Medicinal e Ambiental Teórica (LQMAT), Eduardo Borges de Melo, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), juntamente com professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estão realizando uma pesquisa de moléculas anti-COVID utilizando métodos in silico de novos fármacos, processos estes que visam acelerar e racionalizar o processo de descoberta, a custos menores. 


Esta etapa foi realizada pelos pesquisadores do Brasil, com recursos disponíveis no LQMAT da Unioeste e recursos computacionais disponíveis nos Institutos de Química e de Biologia da UFMG. De acordo com o coordenador do projeto, Eduardo Borges de Melo, o trabalho envolveu identificar, em partir de um conjunto de aproximadamente 213.500.000 de compostos disponíveis em diferentes quimiotecas virtuais, potenciais inibidores da enzima 3CL hidrolase, também conhecida como protease principal do vírus SARS-CoV-2  (Mpro).


Segundo a pesquisa, ao final das simulações, foram identificados nos bancos de dados um total de 27 compostos que atendiam aos pré-requisitos delineados no estudo. O professor explica que dentre os compostos, os modelos identificaram derivados de uma classe de anitibióticos amplamente utilizada na terapêutica. “Isto nos levou a pensar na possibilidade de medicamentos desta classe também serem úteis para o tratamento da infecção pelo SARS-CoV-2, ou ao menos servirem como um ponto de partida mais eficiente para o desenvolvimento de novos inibidores terapeuticamente úteis”.


Assim, foram avaliados 10 fármacos desta classe, sendo que dois deles, não comercializados no Brasil, atenderam aos requisitos do modelo, apresentando alto potencial de inibição da enzima de interesse. “Ambos os compostos também não foram citados, pelo nosso conhecimento, em nenhum estudo similar de pesquisa de novos agentes anti-COVID19, tratando-se então de uma descoberta nova”, explica.


Porém, simulações in silico não são suficientes para garantir qualquer grau de inibição enzimática. “Estes funcionam como um “norte a ser seguido” no processo de identificação, embora se bem conduzidos existam boas chances de estarem relacionados a resultados reais in vitro ou in vivo. Muitos fármacos já foram desenvolvidos por estas abordagens, como o antiviral Tamiflu, utilizado no tratamento de alguns tipos de gripe, incluindo aí o H1N1. Ainda assim, estudos experimentais confirmatórios são indispensáveis”.


Por serem fármacos já comercializados, os dois compostos que foram identificados no estudo apresentam um custo relativamente baixo para aquisição para testes. Dessa forma, amostras de ambos serão adquiridas com recursos pessoais dos pesquisadores enviadas para os pesquisadores parceiros da Escola de Farmácia e Ciências Farmacêuticas da UCSD, campus de La Jolla, nos Estados Unidos. 


De acordo com o professor Eduardo, se os resultados dos testes in vitro confirmarem os obtidos pelos modelos in silico e se estes mostrarem-se promissores, posteriormente poderão ser realizados estudos in vitro em células contaminadas pelo SARS-CoV-2, verificando se a potência de inibição enzimática obtida é suficiente para também causar efeitos antivirais, aumentando assim as chances destes dois medicamentos vierem a ser, um dia, reposicionados para o tratamento desta infecção viral. Os testes devem ser realizados no decorrer do mês de agosto, e os pesquisadores esperam que os resultados deste estudo sejam publicados até o final deste ano.


Já os demais 27 compostos identificados, por se tratarem de moléculas não utilizadas em nenhum tipo de doença, devem ser encomendados com as empresas fornecedoras via síntese por encomenda, ou sintetizadas em laboratórios parceiros, e por isto apresentam alto custo para aquisição ou preparação. Assim, futuros testes destes compostos dependem de obtenção de recursos via órgãos de fomento a pesquisa.

Texto: Ana Cauneto




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