Francisco Beltrão: Projeto de Extensão propõe visibilidade à mulheres agricultoras

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O projeto intitulado “Coletivo de Mulheres do Campo”, foi idealizado desde 2013 pela professora Roseli Alves dos Santos, do curso de Geografia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), juntamente com as lideranças do coletivo regional de mulheres agricultoras em parceria com o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Francisco Beltrão.

Segundo a coordenadora, a finalidade do projeto é dar visibilidade ao trabalho e a organização das mulheres agricultoras contribuindo para o fortalecimento do coletivo e para o engajamento nas atividades desenvolvidas. O trabalho busca viabilizar a luta feminina tanto no campo quanto na cidade, tendo como base a organização política das mulheres do sudoeste do Paraná, dentro de sindicatos, movimentos sociais e organizações como universidades. “Dentro do coletivo estão diversas entidades que somam nessa organização de busca por direitos, bem como oportunidades para mulheres que vivem dentro de um sistema patriarcal e veem por muitos anos seu trabalho ser desvalorizado dentro da agricultura familiar, situação essa que as coloca numa posição inferior aos homens no quesito social, político e econômico” diz.

Com a pandemia e o distanciamento social, o projeto teve que se ajustar e se limitar as novas regras. A internet passou a ser uma importante ferramenta. Da horta, os moradores cultivam seus canteiros respeitando o distanciamento, a Feira Livre conta com um delivery no qual os clientes realizam seu pedido e os produtos são entregues. Além disso, o coletivo realiza também encontros virtuais para debater temáticas relacionadas a área de gênero.

Roseli explica que o projeto contribui diretamente com a horta urbana comunitária da Amarbem, em que participam moradores do bairro Padre Ulrico, a feira livre de agrotóxicos da Unioeste, que possui duas feirantes agricultoras, o ato regional do Dia Internacional das Mulheres, aberto à todas as mulheres da região sudoeste e a Assessoria com relação às reuniões e processos organizativos.

O projeto contribui para a vida dos acadêmicos levando alimentos saudáveis, acessíveis e livres de agrotóxicos para dentro da Universidade com a feira livre, levantando debates sobre as questões de gênero existentes em nossa sociedade, dando oportunidade de aproximá-los da comunidade da horta e aprender com os ricos saberes tradicionais desta.

A Unioeste contribui cedendo espaço para o funcionamento da feira livre toda semana, ofertando carro para que os professores e acadêmicos pudessem ir até a horta e eventos voltados à proposta. A Instituição, enquanto universidade pública, sempre deu apoio para que o projeto de extensão pudesse estar próximo e voltado a comunidade.

Fabiane Zanini dos Santos é acadêmica do 4º ano de Geografia – Licenciatura. Soube do projeto a partir de uma viagem em comum com a coordenadora Roseli. De acordo com ela, o que mais chamou a atenção foi o ato regional do dia das mulheres. “Até então, nunca havia participado da organização de um ato desse tamanho. Participar do ato como organização, debater e discuti-lo, foi uma experiência incrível de muito aprendizado”. Ela permaneceu no projeto por dois anos e conclui dizendo que “ter participado das ações me trouxe um espírito de coletividade, me fez ver possibilidades de transformação, me aproximou de pessoas fortes e guerreiras que sem dúvida se tornaram exemplos pra minha vida”.

Ao longo dos anos, o projeto contou com inúmeros membros, professores e acadêmicos tanto bolsistas, como voluntários. Compõe a atividade a professora Roseli Alves dos Santos (coordenadora e orientadora do projeto); professor Luiz Carlos Flavio (coordenador da horta urbana); Aline Motter (ex-bolsista); Luiz Carlos da Silva (ex-bolsista); Mariele Lucini (ex-bolsista); Roseneide Venzo (ex-bolsista); Rochelle Rigelli (ex-bolsista); Fabiane Zanini dos Santos (ex-bolsista); e atualmente conta com a bolsista Daniela Lubian.

Por Luis Gustavo 
Supervisão de Patricia Bosso




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