Unioeste faz mapeamento de produção orgânica no Oeste do Paraná

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A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) está fazendo um mapeamento de produção orgânica no Oeste do Estado. Para isso, desenvolveu um projeto denominado Mapeamento e constituição de rede de produtores agroecológicos na faixa de fronteira do Paraná, vinculado ao curso de Ciência Sociais do Campus de Toledo. O projeto tem parceria com o Instituto Tecnológico Federal (ITF), de Assis Chateaubriand, Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) e a empresa Biolabore, de Santa Helena, atuante na área de serviços técnicos especializados para produtos voltados ao desenvolvimento sustentável.

Sob coordenação do professor doutor Gustavo Alves, do Campus de Toledo,  o trabalho é realizado com coleta de dados em plataforma da Internet, pelo Laboratório de Estudos e Pesquisa, Estado, Fronteiras e Relações.  Segundo ele, alimentos orgânicos são aqueles  cultivados de maneira sustentável mediante a agricultura biológica (ou orgânica), isentos de produtos químicos, ou seja, de insumos artificiais.

Até a pandemia, foram cadastrados aproximadamente 50 produtores de Toledo, Entre Rios, Pato Bragado, que trabalham com hortaliças, tomates, cenoura, beterraba e queijo. A plataforma atende os produtores cadastrados e, futuramente, estará disponível para sistema de busca para consumidores e ainda tem possibilidade de transformar-se num aplicativo.

A ideia, transformada em projeto institucional no ano de 2018, permite o cadastramento do produtor, bem como sua geolocalização por GPS.  Antes da pandemia, os envolvidos no trabalho coletaram dos dados na propriedade do agricultor, ou seja, o grupo ia até a fonte de produção.

O contato é feito por meio de associações de produtores e a expectativa é expandir o trabalho para outros regiões do Estado. Segundo professor, uma rede de pessoas ligadas à área foi fundamental para o projeto sair do papel, como o CAPA (Centro de Apoio a Profissional Agroecologica).

O banco de dados do projeto tem informações detalhadas e assim vai da ponta da cadeia, os produtores, até o varejo, os consumidores, envolvendo todos os parceiros “Só fazemos cadastro mediante autorização assinada pelo produtor”, explicou o professor.

Depois de encerrada a fase de cadastro, a expectativa é ampliar o projeto e ter mais instituições parceiras, além de fazer um plano de divulgação da plataforma.  “O legal é que quando a plataforma estiver pronta, poderemos oferecer cursos, disponibilizar informações na rede”, menciona o coordenador.

Outra possiblidade é incluir no projeto um campo para informações sobre insumos e outros mecanismo  de produção de orgânico.  “Assim, o produtor poderá ser assistido. Então o nosso trabalho vai da ponta da cadeia até o final”, diz ele, ao mencionar que o mapeamento será um instrumento para produtores e também consumidores. “A ideia é abrir novas portas e fazer uma interação entre Universidade e o setor produtivo.

O CAPA surgiu quando agricultores familiares eram  expulsos do campo, pelo modelo de desenvolvimento chamado “Revolução Verde” – um pacote de modernização baseada na produção agrícola em grande escala, no uso intensivo de agrotóxicos e na mecanização, rompendo com a lógica da agricultura familiar.
Sul é líder no consumo de orgânicos.

De acordo com a edição de 2019, da pesquisa Panorama do Consumo de Orgânicos no Brasil, encomendada pelo Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), os brasileiros consomem mais produtos desta categoria em comparação com a primeira edição do levantamento, de 2017. Naquele ano, 15% das pessoas responderam que tinham consumido produtos orgânicos nos 30 dias anteriores. Neste ano, o percentual cresceu para 19%.

Por definição, um produto orgânico é aquele obtido dentro de um sistema orgânico de produção agropecuária – ou a partir de processos extrativistas sustentáveis – com a preocupação de não prejudicar o meio ambiente, não comprometer os recursos naturais e respeitar as características socioeconômicas da comunidade local, qualidade do solo e a eliminação de agrotóxico.

Segundo a pesquisa, o maior mercado consumidor é a região sul. Do total de respondentes, 23% afirmaram ter comprado produtos orgânicos nos 30 dias anteriores ao levantamento. Em 2017, o Sul também foi considerado como a região com o maior número de adeptos. A motivação principal é individual e não coletiva, já que apenas 9% citaram o meio ambiente como motivo para comprar orgânicos e 84% dos consumidores o fazem para ter uma saúde melhor. Mais informações pelo site  www.abras.com.br.

Por Mara Vitorino 



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