Desenvolve-se o projeto “Fortalecimento das Escolas Públicas do Campo da Região sudoeste do Paraná na perspectiva da Educação do Campo: Rearticulação da Escola e Rede de Formação de Educadores[1]”, o qual se propõe a atender a demanda das Escolas Públicas do Campo da rede estadual de ensino - Ensino Fundamental anos finais e Ensino Médio. Na atualidade conta-se com 6 escolas acompanhadas diretamente nos municípios de Enéas marques, Francisco Beltrão e Verê e outras ainda em fase de organização e início do trabalho nos municípios de Ampére e Bom Jesus.

Iniciado no ano de 2015, a partir de uma necessidade, face aos desafios de uma realidade que impõe um horizonte de fechamento destas escolas no contexto atual de mercantilização da educação. Devido a isso, para dar conta desta tarefa, recriam-se novas ações e frentes de trabalho, com intuito de fortalecer as Escolas Públicas do Campo, na perspectiva garantida pela legislação da Educação do Campo, com ênfase na modalidade.

Criam-se estratégias de formação continuada dos professores desde a especificidade de seu trabalho nas escolas, de modo a melhorar a apropriação do conhecimento pelos estudantes, e aumentar os vínculos dos educadores com a escola e as comunidades, assim como fortalecer ações de resistência desde os espaços existentes a nível regional e estadual.

Assim, este projeto desenvolve-se num processo que conta com duas frentes: a rearticulação das Escolas Públicas do Campo na perspectiva da modalidade da Educação do Campo e a criação de uma rede de formação continuada de educadores do campo.

A primeira frente toma por base a modalidade da Educação do Campo garantida em Lei desde 2010 (Resolução MEC/CNE/CEB 04/2010), e atua com os fundamentos e métodos da Educação do Campo, mediada por práticas que possibilitam a (re)inserção da escola na realidade local das famílias dos estudantes e regional (NRE) e outras organizações; promove o planejamento coletivo com os professores e a interdisciplinaridade tendo como instrumental o Inventário da Realidade; reafirma função social da escola na relação com o conhecimento historicamente sistematizado; a auto-organização dos estudantes e a relação com as comunidades onde se insere esta escola.

A segunda frente de ação visa criar uma rede de formação de educadores e potencializar o conhecimento específico da escolarização, assim como da Educação do Campo, através de um grupo de estudos e de um círculo de experiências permanentes, desde a prática educativa e da inserção social dos educadores nestas escolas.

As movimentações da Rede se colocam na perspectiva de produzir conteúdo e forma à modalidade da Educação do Campo, com base na formação continuada de professores e em práticas educativo-formativas que levem a superar as lógicas da educação rural nas escolas públicas do campo, e fortaleçam as lutas pelo não fechamento de escolas.

Articulando estas duas frentes no contexto da Rede, se organizam processos de formação mais amplos como a participação em cursos específicos, a promoção de eventos como colóquios, jornadas, dias de campo, viagens de estudo, festas e integração com as comunidades e organizações.

Desenvolve-se também a sistematização e a produção de materiais que registrem as práticas ampliando seu alcance.

[1] Neste caso, ao utilizarmos o termo educadores está referido aos professores, agentes, motoristas e equipe diretiva da escola, uma vez que todos se envolvem com o processo formativo-educativo da Educação do Campo.