Há problemas de saúde que raramente aparecem nas conversas do dia a dia, embora afetem profundamente a rotina de quem convive com eles. A incontinência urinária é um desses casos. Muitas mulheres passam anos adaptando hábitos, evitando situações sociais e reorganizando a própria rotina para lidar com um desconforto que, por vergonha ou desconhecimento, costuma permanecer em silêncio.
Na Clínica de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Cascavel, esse assunto é tratado com acolhimento e acompanhamento especializado. O setor de Fisioterapia em Saúde da Mulher integra os atendimentos da clínica há mais de 20 anos e, nos últimos anos, passou a atender uma demanda cada vez maior.
Com a implantação do Centro de Reabilitação Física (CRF), que recebe pacientes da 9ª e da 10ª Regional de Saúde, mulheres de 32 municípios da região passaram a ser encaminhadas pelas Unidades Básicas de Saúde para avaliação e tratamento de diferentes disfunções pélvicas.
Segundo a professora Dra. Juliana C. Frare, a principal queixa é a incontinência urinária, mas o serviço também acompanha casos relacionados a prolapsos de órgãos pélvicos e dores na região pélvica. “Essas condições impactam significativamente a qualidade de vida das pacientes, podendo limitar atividades diárias, comprometer o estado psicológico e afetar negativamente as relações íntimas”, explica.
Entre as mulheres atendidas está Neuza Gonçalves Filgueiras, de 74 anos. Ela procurou o tratamento após perceber episódios frequentes de perda urinária durante atividades rotineiras. Depois de aguardar pelo atendimento, iniciou o acompanhamento em fevereiro e, na sétima semana, já percebe mudanças significativas. “Melhorou bastante, nossa, bastante mesmo, graças a Deus”, conta. “Eu tirei os forrinhos que eu usava e dificilmente estou colocando.”
Neuza relata que, antes do tratamento, sempre precisava se preocupar com o desconforto e com a possibilidade de episódios inesperados.
O tratamento começa com uma avaliação funcional detalhada, realizada em consultório por uma fisioterapeuta especialista. Em seguida, as pacientes participam de sessões terapêuticas com exercícios específicos para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, associados ao treinamento funcional. O tempo médio de acompanhamento varia entre três e seis meses.
O papel da fisioterapia pélvica é restaurar a função muscular e oferecer às pacientes mais segurança e autonomia no cotidiano como explica a Dra. Juliana. O atendimento também integra o estágio curricular do curso de Fisioterapia, permitindo que os estudantes atuem sob supervisão docente em uma área de grande relevância para a saúde feminina.
Anualmente, o setor realiza mais de mil atendimentos, e se consolida como referência regional na assistência e promoção da saúde da mulher.
Hoje, Dona Neuza diz se sentir mais segura para sair de casa e retomar suas atividades com tranquilidade. “Voltei a ter confiança em mim, que eu consigo segurar”, afirma. “Só quem passa por isso sabe o quanto é desagradável” comemora.