Nos corredores da universidade, o português se mistura ao espanhol, ao inglês e a outros idiomas trazidos por estudantes que deixaram seus países e hoje seguem a vida acadêmica cursando a Pós-Graduação na Unioeste. Atualmente, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) conta com 102 alunos de outras nacionalidades matriculados nos programas de Pós-Graduação. Além de ampliar a produção científica, a presença dos estudantes transforma a universidade em um espaço universal de encontros culturais e conhecimento compartilhado.
Amadu Djau é um desses alunos. Vindo da Guiné-Bissau há seis anos, ele é estudante de Doutorado no programa de Pós-Graduação em Geografia, após conseguir a titulação de Mestre no mesmo programa. “Sempre tive e ainda tenho boa relação com a universidade e com os professores. Fiz muitas amizades com outros alunos e pesquisadores de diferentes áreas de estudo e de níveis diferentes, e isso me proporcionou muita experiência tanto acadêmica quanto pessoal”, afirma.
Diego Martín Pereira Ríos, do Uruguai, mora com a esposa em Toledo há dois anos e é aluno do Doutorado em Filosofia. Ele vê a universidade como um local de encontro e troca de experiências. “No aspecto social, a Unioeste é um ponto de encontro de pessoas inquietas e em busca de conhecimento, o que nos permitiu conhecer colegas e professores com quem caminhamos juntos. Também construí algumas amizades a partir de um relacionamento mais profundo. No âmbito acadêmico, as diversas disciplinas me ajudaram a compreender melhor o campo de trabalho no qual desenvolvo minha pesquisa, que é a linha de Metafísica e Conhecimento”, pontua. Ele também ressalta a atuação da Unioeste no suporte com a formalização dos documentos para a mudança de país. “Desde a nossa chegada, tivemos professores e autoridades do campus que se preocuparam em nos ajudar com a documentação necessária para que eu pudesse regularizar toda a minha documentação e receber a bolsa assim que chegássemos”.
Para a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Unioeste, Sanimar Busse, quando um estudante cruza fronteiras e escolhe a Unioeste, ele está chancelando a excelência dos docentes e a relevância da ciência que é produzida na universidade. Segundo ela, esse fenômeno é o reflexo de um esforço contínuo e da qualidade dos nossos programas. "Essa abrangência internacional coloca a Unioeste no mapa global da pesquisa, atraindo talentos de diferentes continentes e origens. Para que essa integração aconteça com sucesso, existe um trabalho essencial e articulado na instituição: por um lado, os Programas de Pós-Graduação atuam diretamente no acolhimento acadêmico e na recepção desses estudantes em suas respectivas áreas; por outro, a Assessoria de Relações Internacionais desempenha um papel fundamental no acompanhamento contínuo, prestando todo o suporte necessário para a inserção e adaptação cultural e institucional dos alunos desde a sua chegada", explica a Pró-Reitora.
Entre os estudantes de Pós-Graduação da Unioeste que vieram de outros países, a maior incidência é a de moçambicanos, com 30 alunos, sendo 21 de Mestrado e 9 de Doutorado. Um deles é Stiven Calby Alberto Alfai, que está no Brasil há dez meses para realizar o Mestrado em Zootecnia. O estudante tem boas expectativas sobre o futuro na Unioeste. “O Mestrado está sendo uma experiência boa, especialmente por ser um ambiente novo e poder conhecer novas coisas e lugares. Espero futuramente conhecer mais pessoas e lugares e adquirir muito conhecimento”.
Diego Ríos reforça a importância das trocas com os colegas e docentes, e do compartilhamento do conhecimento produzido durante o curso. “O diálogo com os professores e com colegas, os eventos que nos reúnem para compartilhar nossos trabalhos e pesquisas, as diversas publicações de artigos em revistas e os livros publicados vão alimentando não apenas nosso conhecimento, mas também nossa experiência humana. Destaco o papel do meu orientador, que compartilhou comigo não apenas seu conhecimento e sua experiência acadêmica, mas também seu tempo e sua amizade. Isso foi fundamental para que pudéssemos sentir-nos à vontade durante nossa estadia em Toledo”.
O programa com mais alunos de outros países é a Pós-Graduação em Sociedade, Cultura e Fronteiras, cujo índice de estudantes estrangeiros chega a 10%, com 11 alunos matriculados. A Pós em Agronomia tem 10 alunos estrangeiros, representando 9% do total, e a Pós em Desenvolvimento Rural Sustentável conta com 9 discentes vindos de fora do Brasil, que representam 8% dos matriculados no programa.
Erminio Pita Jasse, doutorando em Engenharia Agrícola, quer atravessar o Oceano Atlântico levando o que aprendeu na Unioeste e levá-lo até o sudeste africano, em Moçambique. “Estou no Brasil há nove meses. Quero terminar o curso e levar o conhecimento adquirido aqui para ajudar o desenvolvimento da área agrícola no meu país, em particular na componente de uso de tecnologias digitais no Agro”, ressalta.
Amadu Djau pretende ingressar na docência após finalizar o doutorado em Geografia. “Espero terminar meu doutorado e, um dia, me tornar um professor da Universidade e pesquisador, além de contribuir para a ciência e para a sociedade como um todo”, explica.
Diego Ríos quer focar em finalizar o doutorado, e futuramente pretende buscar novas oportunidades tanto no Brasil quanto em outros países hispanohablantes. “O primeiro passo será concluir meus estudos de pós-graduação para, em seguida, explorar possibilidades de inserção no mercado de trabalho, seja por aqui, mas sem descartar algumas oportunidades que venho considerando em outros países”, afirma.
A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Sanimar Busse, reforça o papel social da universidade como ambiente plural e de suporte a todos os estudantes. “A Unioeste é a casa desses pesquisadores. Nossa missão é continuar abrindo portas, desbravando fronteiras e garantindo que eles encontrem aqui o suporte necessário para o futuro de suas trajetórias acadêmicas. Agradecemos a cada um deles por confiarem na nossa instituição para expandir os horizontes da ciência”, conclui.