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HUOP

Mães que cuidam, lutam e persistem

  • Texto: Maria Klok com supervisão de Thiago Leandro
  • Fotos: Maria Klok
  • Chapéu da Notícia: HUOP

No Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), o Dia das Mães não chega como em outros lugares. Aqui, a data atravessa corredores, quartos e silêncios, e encontra mães que seguem firmes, mesmo quando tudo ao redor parece incerto. É um Dia das Mães vivido de dentro. Nesse momento, ser mãe é permanecer quando o cansaço pesa. É aprender a esperar sem respostas imediatas. Transformar o medo em presença.

Há quatro meses, Luana Bonfim vive essa realidade todos os dias. Desde o nascimento prematuro do filho, o hospital tornou-se parte de sua rotina, e consequentemente da sua história. Com o tempo, o que poderia ser apenas um espaço de passagem ganhou novos significados. “Você vai criando laços com quem está aqui todos os dias, Não é só cuidado médico, são pessoas que acompanham a gente, que entendem o que estamos vivendo”, conta.

Essa convivência diária, feita de pequenos gestos e palavras, ajuda a tornar os dias menos difíceis. E, pouco a pouco, o ambiente deixa de ser unicamente hospitalar e passa a carregar também traços de acolhimento. “Faz a diferença ter esse apoio, a gente se sente mais forte pra continuar”. Neste Dia das Mães, Luana não pensa em comemorações. O que ela deseja é simples e carrega um peso enorme. “Estar com ele já é tudo. Saber que está bem, que está sendo cuidado… isso me traz tranquilidade”.

Ao redor, outras histórias seguem o mesmo caminho. Cada uma com sua dor, seu tempo, suas incertezas e esperanças, mas todas carregadas pelo mesmo tipo de amor. Márcia Aparecida Gonçalves também tem vivido os dias dentro do HUOP. Há um mês acompanhando a filha na UTI pediátrica, ela aprendeu a ressignificar a forma de se comunicar, de cuidar e estar presente. “Nós nos entendemos de outras maneiras. Nem sempre precisa de palavras. Só de estar com ela, muda tudo”, diz

A rotina, muitas vezes, é imprevisível. Existem dias mais tranquilos, outros mais pesados. Porém, existe algo que sempre permanece, o amor. “Me conforta saber que ela está sendo cuidada. Isso dá forças para continuar, mesmo quando não é fácil”. Datas como o Dia das Mães costumam trazer à tona aquilo que ficou do lado de fora: a casa, outros filhos, a família reunida, os costumes e tradições de todos os anos. E é inevitável que isso toque essas mulheres de alguma forma. No entanto, ao mesmo tempo, a data também ganha um novo significado. Ela deixa de ser somente sobre celebração e passa a ser sobre presença. “Às vezes, tudo o que queremos é poder estar ao lado deles” resume Márcia.

Dentro do hospital, essa sensibilidade também é notada por quem cuida. A assistente social da pediatria, Dalas Miglioranza explica que o período exige ainda mais atenção com essas mães. “É uma data significativa, que normalmente é vivida em família. Quando ela acontece dentro do hospital, acaba sendo mais delicada”, destaca. Ao longo da semana, pequenas ações são pensadas para acolher e lembrar essas mulheres. “Ninguém espera passar o Dia das Mães dentro de um hospital. Então o que a gente tenta fazer é tornar esse momento um pouco mais leve, com cuidados, escutas e pequenas ações que façam essa mãe se sentir lembrada”, explica.

O cuidado acontece no dia a dia - na escuta, na empatia e na forma como cada história é respeitada. “Cada mãe vive esse momento de um jeito. Para algumas, é mais difícil; para outras, existe também o alívio de saber que o filho está sendo cuidado. A gente busca apoiar dentro dessas diferentes realidades”, completa Dalas. Ainda assim, nada disso substitui o que elas realmente carregam. O que define esse Dia das Mães não está unicamente nas homenagens. Está na rotina silenciosa de quem acorda e permanece. Está no olhar atento a cada sinal de melhora. Na força de continuar, mesmo sem saber exatamente como será o amanhã.

O amor de mãe não aparece em grandes gestos, ele se revela na constância, na coragem de ficar. Na escolha diária de não soltar a mão, mesmo lidando com sua própria dor e exaustão. E, talvez, seja justamente isso que torna esse Dia das Mães tão profundo. Porque, aqui, o amor não precisa de celebração para existir. Ele já está presente - inteiro, resistente e indispensável - em cada mãe que segue, todos os dias, fazendo do cuidado a sua forma mais verdadeira de amar.

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