Quais os rumos da crise?

Luis Fernando Guimarães Zen

Ainda não sabemos exatamente quais os rumos que a crise financeira irá tomar, porém, algumas mudanças já são perceptíveis, o discurso do presidente Lula que inicialmente era de que "a crise não vai atingir o Brasil" já mudou, o governo agora é forçado a aceitar que a crise já chegou ao país.

A falta de crédito tão anunciada pelos meios de comunicação já pode ser sentida na prática. A abundância de crédito para financiamentos de eletroeletrônicos, automóveis, imóveis, créditos consignados, empréstimos para aposentados, para os agricultores e empresários está cada vez mais escasso. Os financiamentos "a perder de vista" nas concessionárias de automóveis que a menos de um ano ofereciam taxas de juros de até 0,5% ao mês agora chegam a cobrar 3,10% para financiamentos de até 6 meses, isso daria aproximadamente 37,20% ao ano.

Os financiamentos de imóveis que foram o pivô da crise nos Estados Unidos estão cada vez mais escassos também no Brasil. Essa semana, as grandes multinacionais do setor agrícola anunciaram que não vão financiar plantações de grãos no Brasil, isso pode acarretar em uma crise alimentar ainda maior que a já existente e tão debatida pela ONU em 2008.

A dúvida que fica no ar é saber onde foram parar os TRÊS TRILHÕES DE DOLARES injetados na economia pelos governos dos Estados Unidos e alguns países da Europa. O governo brasileiro também "investiu" dinheiro público, isso mesmo, extraído dos nossos impostos, uma bagatela de 60 BILÕES DE REAIS injetados na economia1. Mais uma vez, o Estado intervém a favor das elites, seja no Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa.

Se essa crise persistir por muito tempo as conseqüências podem ser ainda mais graves, com o arrefecimento da economia, as grandes indústrias que hoje falam em férias coletivas logo vão começar a falar em demissões, característica comum das crises cíclicas do capitalismo.