Quantas vezes você ouviu essa palavra nos últimos dias? Desde escândalos envolvendo políticos, funcionários públicos e grandes empresas até as "pequenas" corrupções do cotidiano, o tema parece estar sempre na pauta do dia. Está com você na conversa do bar, nas páginas do jornal, na sala de jantar. Aqui em Marechal Rondon, por exemplo, descobrimos recentemente que ela estava bem ali, diante dos nossos olhos, nas irregularidades do CIRETRAN... Difícil acreditar, né?
Por vezes, ficamos estupefatos diante do tudo isso... Como compreender tantos casos de desvios, de mau uso da coisa pública, de troca de favores, de tráficos de influência, de propinas, de nepotismos??? São tantas denúncias que ficamos com a impressão de que nunca vimos tantos escândalos quanto agora! Parece algo tão comum na nossa realidade, que passa a ser considerado natural, inseparável da nossa condição de brasileiros. Será um mal que carregamos no gene? Será que deus não é brasileiro, e o diabo é que anda por essas bandas?
Não é tão simples assim... A corrupção não pode ser entendida apenas no aqui e agora. Não é algo novo na história do Brasil, nem exclusividade de um governo ou partido. Tampouco é prática que só acontece em terras brasileiras.
Compreender tais práticas requer pensá-las enquanto parte de um determinado sistema. Através delas, dinheiro se converte em cotas de poder no aparato estatal e estas se convertem em dinheiro. A corrupção é um dos principais mecanismos utilizados para manter a lealdade de determinadas forças políticas aos interesses do capital. Sem corruptores, não existiriam corruptos. Ela torna possível que determinados projetos sejam aprovados, enquanto alternativas políticas de mudanças sejam barradas e enfraquecidas.
Há saída? Achamos que sim... Mas ela passa por uma mudança de atitude por parte da sociedade. Não basta apenas aquela indignação momentânea, que surge contra determinados nomes em determinados momentos, quando o escândalo está fresquinho nas páginas dos jornais; faz-se necessário um debate social que busque entender as raízes mais profundas de tais práticas sociais e a forma de combatê-las. Não é tarefa fácil... Mesmo dentro das Universidades, são poucos os estudos que se dedicam a entender e pensar sobre tal tema... Muitos grupos e movimentos sociais, no entanto, tem denunciado sistematicamente não só os casos do momento, mas os espaços e as relações de poder que tornam possível que estas práticas continuem se repetindo ininterruptamente.
Este mural surgiu então como um desafio! Buscamos apresentar algumas reflexões sobre a corrupção, discutindo questões como o "jeitinho" brasileiro, as inúmeras CPIs realizadas no país (e que geralmente dão em nada - ou pizza), a forma como a mídia trata tal problemática, a corrupção internacional, aquela envolvendo políticos e agentes do governo, e a memória social que se constrói acerca de tais atos e seus agentes. Mas repassamos o desafio para cada um de vocês... Como diz a música: "É preciso estar atento e forte!" Transformar tais práticas requer debate, reflexão e ação.